Mostrar mensagens com a etiqueta memórias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta memórias. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Memórias XI

Ontem (domingo de manhã), sentado na minha moto mais pequena, a caminho de casa da minha avó, veio-me à memória outra viagem, a mais longa que já fiz com esta moto. Um dia que fui e vim ao Porto. Memória triste pois não fui reaver o telemóvel como ontem fui mas perder algo mais… perder isto se podemos perder algo que nunca tivemos…
É estúpido ter de fazer mais de 100km para ir buscar um telemóvel mas quem me manda deixá-lo cair e só me aperceber quando já estava em casa? Será isto bom sinal? Diria que sim, pois prova que não estou dependente do aparelho, como pessoas que vejo que não o largam um segundo mas também poderão dizer que não, pois quer dizer que não me ligam muito (voltamos ao princípio, isso é bom ou mau?).
Por vezes gostava de ter capacidade para esquecer… gostava… digo isto mas não o sinto. Sei que há coisas que temos de nos lembrar, pois aprendemos com elas e o tempo encarrega-se de tirar o sentimento à memória… deixei-me divagar e relembro como cheguei a casa nesse dia, há anos atrás, totalmente moído ao contrário de ontem em que ainda fui ajudar o meu pai com as compras. Não me lembrei (como agora lembro ao escrever) da amiga a quem faltei por ter feito essa viagem. Sim isto das memórias (pelo menos comigo) nunca é simples, uma puxa outra e … só falta começar a pensar porque raio estou a escrever isto mas tudo fosse tão fácil de explicar, escrevo porque me apetece!


FATifer

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Memórias X

Perdidas numa cassete VHS lá estavam as imagens de uma festa de natal com os colegas da faculdade… é estranho vermo-nos mais novos. Por momentos recuei no tempo… revi muitas memórias de um tempo bom, boas recordações. Deixei-me estar ali sentado a ouvir os meus colegas cantar, a troca das prendas, as bocas constantes que sempre os mesmos mandam… talvez seja por isto que alguns dizem que “recordar é viver”…


A cassete acabou, rebobinei… na minha mente ainda passavam episódios daquele tempo. Por mais que não possa dizer que tenha vivido a vida académica em todas as suas vertentes (nomeadamente a vertigem do coma alcoólico que assisti por mais vezes do que gostaria) tenho as minhas histórias para contar e algumas recordei ao ver estas imagens perdidas numa cassete VHS!

FATifer

domingo, 28 de agosto de 2011

A vida continua... 7

O meu avô faria 90 anos hoje, se fosse vivo…
Ontem lembrei-me dele ao passar pelo local onde me ensinou a andar de bicicleta… vinha da praia a conversar com o meu pai e a ver que a minha bicicleta, que o meu avô me ofereceu, já tem 23 anos… o tempo passa.

A vida continua…



FATifer

domingo, 10 de julho de 2011

Memórias... IX


Esta vista faz-me recuar anos até à infância… tempos em que passava parte dos meus verões em casa da minha avô materna. Recordo os passeios que dava nestes campos, as inúmeras vezes que descia e subia a escada de acesso… o cheiro, o vento…

Talvez por estar com ele e ali, recordo o dia em que um primo meu que muito estimo me ensinou a jogar xadrez… olho a filha dele já com 12 anos e vejo como o tempo passa…

Memórias deliciosas estas que tive o prazer de saborear este sábado junto com o bom almoço com uns primos nos ofereceram.

Fica uma foto das flores que encontrei ao fundo da referida escada…




FATifer

sábado, 31 de julho de 2010

Memórias… VIII

Hoje ou melhor deveria escrever ontem, fui como que reviver o passado… Fui passar o dia com os meus pais à costa.

Quem conhece as praias de Santo António como eu desde que nasci, deveria ficar deprimido com o seu estado actual mas como não sou dado a depressões apenas fico nostálgico ao lembrar-me do grande areal que não vejo. A minha praia já não é o que foi mas a água estava boa (para quem como eu não gosta de água quente) e soube muito bem o mergulho depois do tradicional jogo de raquetes com o meu pai…

Da parte da tarde peguei na minha velhinha bicicleta (foi-me oferecida pelo meu avô já há 22 anos) e fui ao centro da costa comer a sandes de gelado que tantas vezes comi quando era criança. Ainda existe a mesma geladaria e aquele sabor é como que um bilhete para o passado doce que adoro relembrar. Durante a meu passeio voltei a constatar, com agrado, que a minha bicicleta não perde a sua capacidade de virar cabeças. Sim com 22 anos é natural mas continuo a adorar ver os miúdos a apontar porque nunca tinham visto e os adultos a comentar que há anos que não viam uma assim…

Fui passar o dia com os meus pais e relembrei ao olhar o mar, ao sentir o vento no cabelo e o som das mudanças da minha bicicleta… memórias da minha infância que é tão bom recordar.

Bom fim-de-semana para todos,
FATifer

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Memórias… VII

Estou de férias esta semana (vá não comecem com inveja é só esta semana, vou trabalhar o Agosto todo se isso vos conforta). Estou a tentar fazer algumas das coisas que deixamos para fazer quando temos tempo e nunca conseguimos fazer todas mas não é esse o objecto deste texto. Decidi escrever porque ontem voltei a um local onde devia ir mais vezes mas não ia há anos, a praia de Carcavelos. Com tudo o que têm feito está-se muito bem ali mesmo de noite e prova disso era a quantidade de pessoas que lá estavam. Ir à aquela praia provoca-me sempre uma certa nostalgia pois invariavelmente lembro-me de um café que tomei lá com uma linda mulher com a qual perdi contacto, infelizmente.

“…tu tens mesmo uns olhos lindos!”

É esta frase que invariavelmente ecoa na minha mente sempre que vou àquela praia. Relembro a forma doce mas enfática como o disse, enquanto me olhava com os seus olhos castanhos claros, nada feios por sinal.

Penso que todos somos assim... associamos, frases, gestos, aromas, sabores, músicas a pessoas ou locais… para mim a praia de Carcavelos será sempre sinónimo de Sara e de um dos elogios mais agradáveis que recebi de uma mulher…


Boa semana para todos,
FATifer

domingo, 30 de maio de 2010

Viagens no meu mundo… VII

Longe de ser daqueles indivíduos que religiosamente lavam a viatura todas as semanas (normalmente ao Domingo), tempos houve em que parte das minhas manhãs de Domingo acabavam por ser “gastas” a limpar uma das minhas meninas (motos!). Há tempo que abandonei esse “ritual” mas hoje à tarde, lembrei-me desses tempos pois precisei mesmo de dar uma limpeza à maior que estava um pouco para o sujinho. Também não me considero do tipo de pessoa que anda com o veículo ao colo e que desespera a cada pequena mazela mas, não vou negar, que gosto de ver as minhas meninas (motos!) a brilhar. Sabe bem…


FATifer

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Ao lado do Paraíso

.
Eu tenho uma daquelas máquinas fotográficas idealizadas para pessoas como eu: que delas o que sabem, basicamente, é que se carrega num botão e o que estiver num espacinho restrito na frente fica lá escarrapachado.

..
Nem sempre o resultado tem as cores que eu tinha visto... ou a magia que eu não tinha...
.
Ficam algumas, de um local que já em tempos me disse muito... que agora, ainda que lhe continue a admirar a beleza, não passa disso mesmo: belos rectângulos escarrapachados na frente de uma qualquer lente, ou de um qualquer olhar.
Ainda assim, gosto muito delas.

.
Nota:
Não foram editadas. Estão exactamente como a máquina as viu.

.

.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Domingo…


“Quando chega Domingo,
Faço tenção de todas as coisas mais belas
Que um homem pode fazer na vida.”

(in Domingo – Manuel da Fonseca)


Repito o título do meu 3º texto neste espaço, de novo apresentando o início deste poema que tanto aprecio e recomendo, sempre avisando que estes versos enganam; o poema até pode ser visto como optimista mas pelo meio… como sempre digo, não leiam se não estiverem bem-dispostos!

Mesmo com este tempo, um bom domingo para todos,
FATifer



PS- Depois de escrever o texto acima decidi sair de casa. Tinha umas voltas para dar e fui de moto, como sempre. Acho que não foi só na região de Lisboa mas pelo menos por aqui não estava o melhor dos dias para andar de moto (chuva, vento, frio, etc) mas já estou habituado. A meio das minhas voltas estando perto de um posto do Jumbo e porque até precisava, lá fui pôr gasolina. Como sabem todos os que já foram a um posto destes, raras são as vezes em que não há bicha (ou fila para quem preferir) e hoje não era excepção. Lá fiquei à espera da minha vez. A certa altura o condutor do carro da frente que já devia ter comentado algo sobre mim dentro do carro pois o ocupante do banco de trás já se tinha virado para olhar para mim, saiu do carro e disse-me:

“Epá estás aí à chuva, porque é que não passas e metes-te lá à frente?”

Claro que respondi que não fazia mal e que iria esperar a minha vez como qualquer um, ao que ele ainda respondeu que poderia passar à frente dele e voltou para o carro porque afinal estava a chover!

Tinha de partilhar esta! :)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Eu tenho um e meio! (E nada de trocadilhos!)

.
Como boa portuguesa (que sou!) não poderia deixar de dar a minha opinião sobre algo que toda a gente já deu. É algo compulsivo, uma necessidade básica e que faz parte da tradição, que até nem ficaria bem comigo mesma se o não fizesse!
.
A Maitê! A "senhora" que disse umas coisitas aldrabadas e cuspiu na fonte.
.
Então é assim: a mim não me choca nada o que a "senhora" disse. Sério mesmo! Eu já ouvi tantas barbaridade tão piores vindas naquele sotaque que até achei que a "senhora" esteve dentro do "satisfaz mais" de uma qualquer avaliação.
No entanto há um detalhe no final do tão famoso vídeo que é a parte que mais aprecio. É o momento em que se comenta o recebimento de "um e meio" em que a "senhora" escrevia não conseguir mandar "e meios"! Lindo! A primeira vez que ouvi essas palavras foi numa loja onde tinha acabado de comprar um telemóvel e a vendedora a certa altura me perguntou se eu tinha "um e meio". Juro que lhe perguntei umas duas ou três vezes "o quê?" e só percebi quando ela finalmente disse uma frase no género "um e meio para ondji possamo mandá à faturáção"! Ou seja, tendo-me a mim como exemplo, realmente a Maitê tem razão em achar que os portugueses são mesmo... esquisitos, né?!
.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Oportunidade perdida?

.
“Os dias passam e eu sem te conhecer, estou desesperada, quero-te ver!!!
Fico louca de desejo cada vez que passas por mim na tua mota.
Espero um dia me encontrar contigo, vamos marcar um encontro…
Um beijo de alguém que te quer muito.”

Estava a arrumar uns papéis e encontrei uma folha A5 quadriculada dobrada em quatro, desdobrei e lá estava o texto acima (escrito em letra de imprensa sem estar assinado). Esta folha foi deixada presa no banco da minha moto (da primeira, a mais pequena) quando andava na faculdade…
Sempre tomei esta mensagem como uma brincadeira (por mais que nunca tenha conseguido descobrir de quem), ninguém escreve isto a sério, muito menos numa faculdade!
Reli o texto (parando em todas as incorrecções, como sempre) e dei comigo a pensar (algo que me deixou preocupado comigo mesmo)… e se fosse verdade, terei eu perdido aqui uma oportunidade?


FATifer

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Memórias VI – eu dançar?


Quem me conhece sabe que eu não danço. Desde cedo que constatei que não tenho jeito para a coisa e portanto, aceitei que será algo que não me foi destinado fazer (isto explica, em parte, o porquê de não gostar de discotecas).

No entanto, o dia de hoje traz-me uma memória que contraria o que acabei de dizer. É verdade, faz hoje anos dancei. Passo a contar a história:

Lembram-se desta história? Pois foi num dos aniversários dessa minha amiga, que conheci como relatei, que tudo aconteceu. Como é habitual num jantar de aniversário, depois de jantar fomos beber um copo a um bar e depois quiseram ir a uma discoteca dançar.

Relembro que não gosto de discotecas mas também não sou de não alinhar com o grupo, por isso fui também. Como habitual numa discoteca dirigi-me ao bar, pois para mim pouco me resta para fazer numa discoteca que beber. Todos dançaram, beberam e divertiram-se… a noite estava a chegar ao fim e o fecho da pista aproximava-se.

De repente, para meu espanto, a mulher mais bonita do grupo (uma amiga da aniversariante que também conheci no dia da história que referi) veio na minha direcção e, no silêncio que antecede a valsa de fecho da pista, disse: dança comigo.

(foto da net)
Ainda pensei tentar explicar que não tinha qualquer jeito para a coisa mas se há convites que não se recusam este era um deles. Pousei o copo no balcão e segui-a. No caminho lá expliquei que não era grande dançarino mas ela apenas sorriu, mostrou-me como a devia agarrar e segredou-me ao ouvido: “segue-me…” (eu sei, para os padrões do macho latino a cena está ao contrário mas que podia eu fazer?).
Tendo em conta o que já disse sobre a minha aptidão para esta actividade, posso dizer que foi a melhor dança da minha vida (ok também não houve assim muitas mais!) até porque a esbelta donzela que tive nos braços continuou a conseguir andar normalmente no fim da dança (que é o mesmo que dizer que não a pisei!) e ainda me agradeceu com um sorriso lindo.

Como também já disse, perdi contacto com esta minha amiga que faz anos hoje e nunca mais vi esta linda mulher com quem dancei, como acabei de relatar…

Fica mais uma das minhas memórias que decidi partilhar. Tal como este sorriso, é um episódio que guardo num cantinho do meu coração e que me alegra sempre que o recordo.

Bom fim de semana para todos,
FATifer

sábado, 18 de julho de 2009

Memórias V


Estava a arrumar umas fotos e encontrei algo que me apetece partilhar aqui…

Era uma noite de Agosto, quente … estava sentado no sofá com o meu irmão a ver um filme. Deixo-me escorregar e olho par o tecto momentaneamente. Algo me prende a atenção, paradinha no nosso tecto estava uma osga (para mim é o que lhe chamei mas se algum biólogo me quiser corrigir não levo a mal). O filme era em dvd, por isso parámos e olhámos um para o outro como que a perguntar “e agora o que vamos fazer?”. Depois de alguma “discussão”o meu irmão foi buscar uma vassoura e eu uma caixa de sapatos. Na meia hora seguinte estivemos entretidos a tentar convencer a sra. osga a entrar na caixa, coisa que só fez depois de ter percorrido quase toda a sala. Deu para tudo, até para tirar fotos:


Só a conseguimos fechar na caixa à segunda tentativa e depois lá tive de ir à rua libertar o bicho, sim que não fechamos na caixa a para a guardar!
Sempre que recordamos essa noite sorrimos os dois ao lembrando-nos do trabalho que deu apanhar aquele animal que parecia estar a gostar muito da nossa sala!

FATifer

sábado, 20 de junho de 2009

Memórias IV


Dei por mim melancólico, a relembrar coisas que me façam bem ao ego… e decidi partilhar convosco um dos expoentes da minha (curta e esporádica) vida desportiva. A corrida de corta-mato dos V jogos de Lisboa. Nunca fui fanático por desporto mas também nunca tive nada contra, bem pelo contrário. Na escola fazia tudo com agrado. Quando a professora de educação física perguntou se queríamos participar na corrida de corta-mato dos jogos de Lisboa, eu disse comigo: “porque não?” e inscrevi-me. A corrida que vos vou contar foi a eliminatória de zona…

O dia estava de chuva e o chão já todo mole e enlameado. Olhei para a encosta onde se ia realizar a prova enquanto a professora explicava que teríamos de fazer duas voltas uma mais curta e outra maior em que se subia a encosta toda de um lado para voltar a descer noutro. Respirei fundo e fui com o meu colega fazer o aquecimento, começava a pensar que tinha sido uma excelente ideia ter pedido os sapatos ténis ao meu pai, os pequenos pitons daqueles velhinhos le coq sportif iam dar jeito na lama. Aquecimento feito altura de tirar o fato de treino e alinhar para a partida. Primeira coisa que constato/confirmo, sou o mais alto de todos os participantes… hum…
A linha de meta é um dos pontos mais enlameados do percurso. A partida é dada e com dificuldade arranco, não posso deixar ninguém fugir logo senão pode ser difícil de alcançar. A subida da primeira volta é ligeira e consigo chegar-me facilmente à frente da corrida. Vou olhando a tentar identificar quem me poderá dar mais luta. Um rapaz pequeno comanda a corrida, parece ser ele o meu principal opositor. Estamos na descida para a meta e para concluir a primeira volta, ele vai impondo um bom ritmo, tendo em conta as condições do terreno. Começamos a subir para a segunda volta, o terreno inclinado e a lama provocam uma quebra no ritmo e a meio da subida estamos só os dois, eu e o rapaz pequeno, sinto que ele está a quebrar e aproveito para puxar eu, num instante ganho uns metros e chego ao cimo da encosta isolado. Agora é só gerir a vantagem e ter cuidado para não cair com a lama na descida. Consigo manter a vantagem apesar de sentir que o meu opositor tinha voltado a aumentar o seu ritmo, 3 paços para a meta, levanto um braço e solto um grito de satisfação, na passada seguinte escorrego e quase caio mas a vantagem que tinha permite-me cortar a meta sem mais sustos. Ganhei! Ganhei! Pensei …
Como era apenas uma eliminatória não houve pódio, apenas me entregaram a medalha passado meia hora depois da prova acabar (tive de convencer a minha professora a lá ficar à espera pois não ia sair dali sem a minha medalha!).


Recordo aquele dia sempre com alguma emoção como o dia em que fiz tudo bem, foi uma corrida perfeita!
Esta é sem dúvida uma das memórias que mais me acaricia o ego…

Bom fim-de-semana para todos,
FATifer

PS - Depois ainda participei na corrida final onde o percurso era mais difícil mas não é essa a desculpa para o meu 19º lugar final, antes o facto de eu não passar de um amador ali já a correr contra quem já treinava para aquilo.

domingo, 26 de abril de 2009

Viagens no meu mundo… IV

Ontem senti uma vez mais algo que é difícil de descrever, porque não podemos ter saudades de algo que não vivemos, ou podemos? Poderemos ter nostalgia de um tempo que não foi “nosso”?
Sempre que vejo isto:

Sinto-me invadido por uma sensação de perda… olhar para as ruínas do que foi o pequeno estábulo do meu avô materno deixa-me invariavelmente assim. Ao contrário do meu avô paterno (de quem já falei aqui) nunca tive a honra de conhecer o meu avô materno, pois morreu antes de eu nascer.

Por vezes sinto que com ele morreu assim grande parte da minha ruralidade. Por mais que não me ache um menino da cidade que acha que o leite vem do pacote, penso que teria ganho muito mais apego à terra se tivesse privado com este meu avô, se o tivesse ajudado a escovar o cavalo, se tivesse participado na vindima, se tivesse aprendido a beber o vinho novo ainda da pipa. É de tudo isto que sinto falta quando olho aquelas ruínas, sinto falta de uma parte de mim que nunca foi…









Resta-me “lembrá-lo” através das histórias que a minha mãe conta e nas raras vezes em que abrimos uma garrafa (já temos muito poucas) das que ele fez especialmente para o meu pai e para o qual escolheu as melhores uvas – é um vinho sublime!

FATifer

domingo, 15 de março de 2009

Memórias… III

Pensado nos últimos dois textos aqui deixados, um por cada uma das deusas com quem partilho este espaço, lembrei-me de um episódio da minha vida, do qual só tenho a memória porque a minha mãe adora contá-lo. Decidi partilhá-lo convosco:

Imaginem um menino com 2 anos, não mais, que vai pela rua fora (quando era pequeno nunca gostei de andar de mão dada e tinha um pacto com a minha mãe, desde que não atravessasse a rua ela deixava-me andar à minha vontade). Era hora de almoço, na berma do passeio um camionista sentado na cabine do seu camião de entregas, com a porta aberta, atira para o chão o lixo do resto do almoço. O menino para olha para cima e diz:

- Isso não se faz! A minha mama diz que o lixo é para se pôr no caixote.

Escusado será dizer que o sr camionista ignorou por completo a reprimenda e quem ficou constrangida foi a mãe do menino com aquela cena…


Hoje em dia não faço destas cenas… não por falta de oportunidade mas porque, por mais que lute por manter viva a criança que há em mim, ela já não é tão descarada assim…


Fica a partilha deste pequeno episódio da minha infância e o pedido de desculpa, a quem lê, pela minha falta de escrita mas entre falta de tempo e de inspiração… e como penso já se terem apercebido, por aqui não se escreve por escrever, escreve-se quando se tem algo a dizer, por mais trivial que seja ou pareça ser… :)


Votos de um bom domingo e boa semana para todos,
FATifer

domingo, 1 de março de 2009

Como passei a gostar de favas…


Tal como disse à Pax que faria (porque ela me fez lembrar esta história no comentário em que disse não gostar de favas), aqui estou para contar esta minha memória.

Como também já referi num comentário, em termos de comida, penso não ter nada que não goste (do que já experimentei claro; e nada tenho contra experimentar coisas novas), as favas eram, talvez, a única excepção que deixou de o ser aos 10 anos. Então foi assim:

Num belo dia (não sei precisar a data pois, como compreenderão, com essa idade não mantinha registos das minhas actividades :P) o meu avô veio-me buscar pois estava na altura de ir tirar o bilhete de identidade pela primeira vez. Não sei se se lembram mas nesses tempos (pré-históricos) não havia lojas do cidadão, pelo que tinha que se ir ao arquivo de identificação que, na altura, se situava no edifício da PJ (rua Gomes Freire), e assim foi, lá fomos nós de autocarro.

Não havendo lojas do cidadão, como disse, não eram muito mais pessoas pelo que o resultado foi que, comprar impressos não comprar, entregar não entregar, medir e deixar impressão digital e quando estávamos despachados já era mais que hora de almoço. Ora o meu avô não mora assim tão longe (será cerca de um quilometro, dito assim pode parecer muito mas se disser que é do outro lado do bairro já parece menos), no entanto a vontadinha de comer era grande (não costumo falar em fome pois, como a minha mãe diz que o meu bisavô dizia, nós não sabemos o que é fome (felizmente digo eu) ele sim tinha sabido na infância, por isso dizia com toda a autoridade esta frase). Quando o meu avô me perguntou se queria almoçar em casa dele não pensei duas vezes (mesmo sem saber o seria o almoço). Lembrou-me como se fosse hoje:

- Boa tarde vó.
- Boa tarde meu neto.
- Ele vai almoçar connosco, vou telefonar à mãe a avisar.
- O que é o almoço vó?
- Linguado frito com favas, gostas?
- Aaa… favas… nem por isso mas…
-Não gostas de favas, é tão bom!...

Comi e souberam tão bem!… acho que foi neste dia, com as favas, que comecei a apreciar o amargo, o acre… e desde aí como favas normalmente. Não digo que adoro favas ou que seja o meu prato favorito mas como com gosto sempre que encontro.

(eu sei que não são linguados mas foi a melhor foto que encontrei pla net…)


E foi assim que passei a gostar de favas… uma história simples mas uma memória que muito prezo.


Como já disse, gostos são gostos e os meus envolvem apreciar tudo o que seja para comer!



Votos de uma boa semana para todos,
FATifer

sábado, 4 de outubro de 2008

Memórias… II

Hoje voltei à minha faculdade – foi constituída, finalmente, a Associação de Antigos Alunos e eu não podia faltar à primeira Assembleia Geral!

Entrei no campus e foi como a primeira vez… mas ao mesmo tempo vieram à lembrança tantas memórias…

Estacionei a minha pequenina onde sempre a estacionei, aliás escolhi ir nela pois tinha toda a lógica, afinal foi nela que fiz o mesmo caminho que fiz hoje durante tantos anos…

Enquanto arrumo o capacete (que já não pode ir para o cacifo como era hábito) olho para a cantina, vejo de fora o canto em que o meu ano se juntava – desde o primeiro ano e durante alguns aquele canto era nosso à hora de almoço – relembro os pedaços de pudim a voar por cima da minha cabeça…

Olho as arvores em volta do edifício do meu departamento, estão maiores… resisto à ideia de entrar no edifício… as memórias já me chegam… aquela aula em que quase adormeci por ter feito uma directa a ver os Óscares… as aulas práticas de 4 horas... aquele professor que nos fazia rir não deixando de nos ensinar… o outro que arranjava sempre uma maneira nova de nos chamar burros em todas as aulas… a outra que sabia tanto mas tanto, que dava palestras e não aulas e o seu clássico “como os srs sabem” mas nós ainda não sabíamos! …

Invade-me a melancolia e penso que devia escrever estas linhas para a libertar…

Chega a minha colega por quem esperava. A melancolia passa a segundo plano e vamos para o almoço e depois à assembleia. Não apareceu muita gente, principalmente tendo em conta o número de pessoas que podiam (e deviam) ter aparecido mas já seria de esperar … alguns não deviam querer recordar como eu recordei…


FATifer

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O meu record

Pois… como sei que a Pax não se esquece (de “cobrar”) e porque até vem a propósito, decidi partilhar a história daquela que é (e penso que sempre será) o meu record…

Passo a explicar… como disse no comentário no post anterior da Pax, antes de usar o msn usava outro programa análogo, o ICQ. Quem conhece o programa sabe que nele se podia procurar pessoas e mandar-lhes mensagens mesmo que não fizessem parte da nossa lista de contactos. Foi o que fiz algumas vezes como também me fizeram a mim…

(perde-se na minha memória o quando aconteceu o que vou relatar a seguir e também não me apetece procurar se tenho alguma forma de poder determinar sequer o ano…)

Um belo dia de manhã, comecei a falar com alguém … conversa normal… boca para aqui, boca para ali (não falámos de fotos nem de cuecas, Pax, por acaso não)… não sei precisar de onde veio o convite mas sei que dei comigo a ler:

“…vou à feira popular comer caracóis, queres vir?”

Depois de ultrapassado o inesperado e de confirmar que este convite não era uma brincadeira… dei por mim a comer caracóis e a beber fresquinhas com uma linda mulher, numa tarde de sol na feira popular… este foi (e como disse penso que sempre será) o meu record…

O que aconteceu mais? Querem saber não é?...

Pois, nesse dia, ainda conheci uma amiga dela… jantámos os três… nunca esquecerei a volta na casa dos horrores depois de jantar… vê-las rir a cada “susto” …(sim, estávamos os 3 algo tocados) … foi a melhor volta na casa dos horrores que alguma vez fiz…

Fiquei amigo dela… ainda voltámos a comer caracóis e beber fresquinhas, algumas vezes… mas há uns anos atrás perdemos o contacto… :( … ela fez anos ontem… (por isso disse que vinha a propósito) … tenho pena de ter perdido o contacto com ela mas a vida é assim, é feita de encontros e desencontros…

Fica a história (resumida) do meu record… coisas de outros tempos mas que o post da Pax me fez relembrar…


Bom fim de semana para todos,
FATifer

domingo, 31 de agosto de 2008

Um sorriso especial…


Não sei se é só da habitual angústia existencial de domingo mas deu-me para recordar… e decidi partilhar um episódio que considero, talvez, o acto mais altruísta que alguma vez tive... não por ser um grande feito mas… o melhor é lerem e depois julgam por vós…

(Introdução/enquadramento)

No último ano da faculdade arranjei um estágio numa empresa perto de Aveiro (Vagos para ser mais preciso). Como vinha a casa todos os fim-de-semana, fazia duas vezes por semana uma boa parte da A1 na minha linda mota (que nessa altura era novinha). Estabeleci a rotina de parar na estação de serviço de Leiria (que na altura era da Shell) por comodidade e porque (no sentido N/S) uma das meninas da caixa tinha um dos sorrisos mais lindos e radiosos que alguma vez vi – aqueles sorrisos que nos alegram só de olhar!

(o episódio a seguir aconteceu numa das últimas viagens de regresso a Lisboa)

Mota carregada, fato completo, mota a trabalhar, arranco… (o frio de Dezembro obriga-me a fechar a viseira para que olhos não chorem)… faço-me à estrada, o caminho que tenho a percorrer até chegar ao acesso à A1 tem curvas onde me tenho aprendido a divertir … chego à auto-estrada, enrolo punho, penso nos planos para o fim de semana… vou percorrendo os quilómetros que me separam da “minha” Lisboa…
Placa: “estação de serviço de LEIRIA a 20km” já estou perto, hoje a luz da reserva ainda não acedeu, não vou muito depressa… avisto a estação de serviço, já estou na faixa da direita e a reduzir velocidade… paro , tiro as luvas, o capacete… abasteço, avanço a mota à mão para ao pé da loja (como é meu hábito). Entro na loja “ela não está” (penso), dirijo-me à caixa:

- Boa noite…
- Boa noite.
- Bomba 3, sff
- 12,61€, por favor (a gasolina era a pouco mais de 1€/l, lembram-se?)

Pago… não tenho ninguém atrás de mim…

- Obrigado.
- A sua colega não está cá hoje?
- Está. Está lá dentro…
- Seria possível chamá-la?
- Sim…
- Obrigado.

Vai lá dentro e regressa acompanhada da colega… o sorriso que sentia falta!

- Boa noite.
- Boa noite.

Retiro uma caixa cilíndrica do bolso enquanto digo:

- Desculpe incomodá-la mas queira apenas dar-lhe isto…

(retiro da caixa uma flor de papel, das que faço – raramente ofereço flores naturais pois considero que são demasiado efémeras)

- Para mim?! (na cara dela o espanto não apagara o sorriso)
- Sim para si… há uns tempos que passo por aqui e achei que devia tentar retribuir-lhe o bem que me sabe ver o seu lindo sorriso.
- Obrigado! (vê-se nos olhos e na expressão que está sem jeito e não sabe o que dizer mais…)
- Obrigado eu! Boa noite e nunca perca esse sorriso!

Saí, liguei a mota, anotei os quilómetros (como sempre faço)… montei, antes de voltar o colocar o capacete voltei a olhar para a loja… ela acenou-me e sorriu, retribuí… capacete na cabeça, luvas calçadas, arranco e retomo o meu caminho de volta à “minha” Lisboa…

…

Nunca mais vi aquele sorriso mas ainda hoje penso o que terá ela sentido ao ver minha flor? Será que ainda a tem? Recordo aquele momento com carinho… foi algo que fiz porque achei que devia, porque achei que era correcto… senti-me bem ao fazê-lo, como me senti bem sempre que vi o seu sorriso. Aquele sorriso era para mim um tónico naquelas viagens… e foi por isso que decidi tentar retribuir com aquele gesto. A menina da Shell de Leiria terá sempre um cantinho no meu coração… por mais que nunca tenha sabido o seu nome, o seu sorriso, esse, nunca o esquecerei!


Votos de boa semana para todos,
FATifer