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Há uns dias assisti a uma palestra de um padre... que adorei. Aliás, eu devo ser a "atua", descrente, whatever, mais fascinada de cada vez que um padre abre a boca. Gosto mesmo de os ouvir falar e (sem ironias) raramente os oiço sem que fique a pensar na mensagem que tentaram transmitir, o que considero ser mesmo muito bom.
A certa altura ele mencionava a importância de sermos e de nos sentirmos seres humanos melhores. A capacidade de darmos, de nos darmos em beneficio de alguém que necessita (isto a propósito dos voluntários que foram ajudar no Haiti).
Não sei se foi influenciada por isto mas... a verdade é que neste fim de semana me dispus a fazer algo que queria mas vinha adiando há anos: dar sangue. Parece-me ser algo muito pequenino mas também sei que é com muitos algos muito pequeninos que se consegue fazer algo imensuravelmente grande como é o salvar uma vida.
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Depois do inquérito em que se pretende fazer um pequeno historial sobre a minha saúde e até sobre comportamentos (que imagino façam sentido) e depois da picadela do dedo para ver já-não-me-lembro-o-quê sobre os glóbulos vermelhos (que disse ao enfermeiro que não tinha doído nada mas menti um cadito), é a vez do médico fazer mais umas perguntas, se alguma vez tinha desmaiado e blá-blá (obviamente que não!), medir a tensão arterial para então, finalmente, cumprir o acto de boa vontade e me tornar dadora.
O aparelho mediu três vezes e três vezes deu erro. De cada vez o médico só dizia "O aparelho estava a funcionar bem, não sei porquê mas não lhe apanha a tensão" e eu lá lhe fui respondendo "Mas eu garanto-lhe que estou viva!". Depois da substituição do mesmo por um daqueles antigos, de estetoscópio nos ouvidos, pela suspeita de avaria... afinal quem estava avariada era mesmo eu! "Sente-se mesmo bem?!" "Ahh?! Sim... perfeitamente... porquê?" Mas já começando a duvidar... "É que a sua tensão é 9-7 e o mínimo para poder dar sangue é 10... vai ter de voltar outro dia, depois de tomar um bom café!"
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Naquele momento, além de desiludida, fiquei com a sensação amarga de que se me acabava o fim de semana da boa vontade de forma completamente inglória!
Para mais, agora receio que tão depressa não passe mais nenhum padre pela minha vida!
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P.S. (Ou, com boa vontade, moral da história):
É curioso que, ainda que não o seja, só o facto de ter ido completamente disposta a fazê-lo, já me fez sentir uma pessoa melhor e percebi isso pelo facto de, realmente, ter ficado decepcionada por o não ter podido fazer :)
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