quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Não sendo o fim….


Quem me conhece sabe que não sou pessoa de desistir mas também não sou de insistir quando não vejo razão para tal…
Despois de dois anos a escrever sozinho por aqui, acho que não faz sentido manter este espaço sem a companhia das duas deusas que por aqui brilhavam.
Assim, mesmo que não diga que nunca mais aqui escreverei, se é para escrever a solo então que seja no meu espaço, pelo que decidi criar o FATiferando. Aí vou começar por fazer os resumos que achar por bem do que escrevi por aqui e continuarei por lá mandar as minhas bocas, na mesma filosofia que sempre aqui fiz: escrever o que quero, quando quero e porque posso.

Espero ver-vos por lá se assim o entenderem…

FATifer

domingo, 2 de dezembro de 2012

Hoje fui passear…

Ficam algumas fotos que tirei no passeio de hoje que me fez muito bem!!







FATifer

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Monólogo de mim X


Olho-me no espelho, estou nu (literal e figurativamente falando). Até que ponto reconheço a imagem que vejo? Até que ponto o que vejo sou eu? Até que ponto quero ver o que sou? Ou serei o que vejo?
Olho-me no espelho… e apenas vejo uma imagem de mim. Vejo-me mas não me reconheço logo. Esta roupa não é o meu estilo… mas qual é o meu estilo?
Olho-me no espelho…
Olho-me no espelho… e saio para o mundo.

…saio para o mundo mas continuo no meu… pequeno… controlado… rotineiro… porque sim… porque eu quero assim… ou será preguiça, ou medo de algo diferente? … Preguiça de mudar… medo de quê?
Olho em volta… o mundo de possibilidades… e sigo em frente… onde irei dar?

FATifer

domingo, 28 de outubro de 2012

Orgulho neste Português!


(foto caixa media)

Miguel Oliveira conseguiu o 2º lugar no moto3 em Phillip Island (Austrália para quem não sabe). Claramente só não chegou ao degrau mais alto do pódio porque não tinha moto! Ficamos à espera de o ver nessa posição em breve!
Parabéns Miguel, alguém que me faça ter orgulho de ser português!

FATifer

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Porque alguém pediu… II


O vento frio, impiedoso, causa uma lágrima que me escorre pela face. Não a limpo deixo cair. O cheiro da terra molhada faz-me lembrar aquele dia em que me levaste ao teu lugar favorito. Perdidos no meio da serra de Sintra num recanto que só tu parecias conhecer, deitei-me no chão a teu lado após muito insistires. Ainda me lembro de ver daquele céu carregado por entre as árvores e de como começou a pingar… e como não me deixaste levantar e quiseste que sentisse a chuva a cair em mim, em ti, em nós… como se fossemos chão. Aquele cheiro que sempre gostei de terra acabada de molhar ganhou outra dimensão nesse dia.
Continuo preso às memórias de ti… parece que não há nada que faça que não me lembre de ti e do ano que partilhaste a minha vida.
Subo a escadaria à minha de dois em dois degraus e sinto os músculos das pernas a queixarem-se… em que ei de pensar para te esquecer? Cheguei ao topo, nem sei bem onde estou mas a vista é bonita. Estou perdido como na vida e só me resta seguir em frente. A chuva volta a cair. Levanto o capuz do casaco e continuo a andar em frente sem destino aparente. Por fim chego a um largo… ah já sei onde estou! Agora vou por ali. Apetece-me um café e conheço um bom aqui perto, que não serve a nossa marca… e assim não me lembro de ti (mas já me lembrei!).
Entro no café. Sento-me ao balcão e peço uma bica e um pastel de nata, têm bom aspecto. Agarro a chávena para aquecer as mãos. Por momentos pareço conseguir apena saborear o café e o pastel, não pensando em mais nada mas é uma doce ilusão... o mundo volta quando a empregada ao balcão me apresenta a conta. Olho para ela. Nada tem a ver contigo, é morena, de feições carregadas e olhar amorfo. Recordo os teus olhos verdes, penetrantes… bolas! Lá estou eu a pensar em ti de novo… levanto-me e saio do café. Já parou de chover mas sinto as solas escorregar na calçada polida. Continuo a andar, “onde vou agora?” pergunto-me sem vontade de me responder…
Dou comigo num largo que não tenho memória da conhecer mas até na nossa cidade podemos descobrir coisas como muito bem me mostraste por várias vezes… pergunto-me o que me terias chamado a atenção ao ver o que vejo? A árvore com o banco por baixo ou o bebedouro? Os motivos da calçada? Não sei…  talvez tenha perdido a capacidade e adivinhar o que pensas agora que não te tenho a meu lado…



FATifer

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Porque alguém pediu…


Olho o último pingo de café que cai na chávena. Sinto o cheiro do café acabado de fazer a invadir o espaço. Sinto o calor quando pego na chávena e sabe bem porque está frio…
A memória é uma coisa lixada, não consigo beber uma chávena deste café sem me lembrar dela… nem com um oceano inteiro a separar-nos tu me deixas em paz!
Lembro-me do dia que nos nossos olhares se cruzaram naquela esquina. Posso dizer-te quantas beatas havia no chão, afinal os cigarro eram todos meus! Tu passaste e algo de mágico aconteceu, de repente perdi o fôlego, não conseguia respirar depois do teu olhar deixar o meu. Não foi do cigarro como gostavas de dizer brincando, foste tu. Tentei mexer-me e caí. Soltaste uma gargalhada sem olhares para trás. O que hoje me parece cruel, na altura pareceu-me divino. Quando finalmente me levantei já mal te conseguia avistar, cambaleando segui-te pois, naquele momento, nada mais conseguia fazer. Tinhas virado a esquina seguinte e só de relance te vi entrar num café mais à frente. Tentei acelerar o passo e quase caí de novo. Quando entrei no café não te vi. Olhei para todos os lados freneticamente e não te vi! Quando começava a duvidar da minha sanidade mental apareceste atrás do balcão de uniforme. Por impulso sentei-me ao balcão à tua frente. Olhaste para mim como que a perguntar o que pretendia. Como nada disse perguntaste e ouvir a tua voz deixou-me ainda mais incapaz de falar. Viraste-te e tiraste um café que me colocaste à frente sem açúcar, pensava eu que terias adivinhado como o tomo mas não, havia um cesto no balcão para tirar se quisesse. Peguei na chávena, sorvi um golo e finalmente consegui dizer um “obrigado”. Sorriste e retorquiste "é um 1,20€". Retirei o porta moedas de forma atrapalhada do bolso, estendi-te as moedas e o meu olhar prendeu-se no teu uma vez mais. Por momentos pareceste tão hipnotizada quanto eu mas depois viraste-te para a caixa registadora para guardar as moedas e devolveste-me um talão de despesa. Nem reagi procurando de novo o teu a olhar que me negaste.
Não sei explicar o que se terá passado pois a memória seguinte que tenho de nós é de acordar a teu lado numa cama que não era a minha. O raio de sol descia duma nesga de estore aberto, e passava pelos teus cabelos, assim ainda mais doirados, antes de chegar à cabeceira da cama acima da minha cabeça. Lembro-me das tuas costas nuas e de te ouvir dizer um “bom dia” num tom que ainda hoje não encontro palavras para descrever.
Tudo o que se passou depois entre nós é melhor nem recordar … num grande esforço faço fast forward para o dia que disseste que ias para São Francisco e relembro a tua cara quando que te respondi que não ia contigo. Aquele misto de incredibilidade, raiva e confirmação que sabias que te vi no olhar.
Foi bom enquanto durou, só falta conseguir deixar-te para trás… para isso talvez seja bom deixar de comprar este café!



FATifer

sábado, 6 de outubro de 2012

Perguntas perigosas…


Quem deu legitimidade a este (ou qualquer) governo para fazer as asneiras que faz?
(e não me digam que foi o “povo”!)

Porque precisamos de partidos políticos?
(se não representam nada senão os seus interesses e são uma óptima forma de nunca se poder responsabilizar ninguém pela merda que faz)

FATifer

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Monólogo de mim IX (in english for a change)


I locked myself in a box and I’m trying so hard to forget the way out that I invent mazes where there are none… why am I such a coward? What am I afraid of? Why do I prefer this small little world to the multitude of choices out there? What or who am I pretending to be?... these are questions I know the answers to, deep down, but keep asking myself, as if waiting to find a different truth… it has been a while since I lost myself from me and was left with this quest for … the what I should be but will never realize I am…
…and so all that is left for me is to pretend I’m at peace with myself, while a brutal war rages inside between: me, myself and all the ghosts of what I was, should, would and could be… and there is no winner and there will never be… all I am is this war that will consume me until the end of my days…

FATifer

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Monólogo de mim VIII


Sinto falta de ti por mais que não saiba quem és e não te conheça…

Porque é que construí todas estas defesas quase impenetráveis?... porquê este medo irracional de te encontrar... quando esperava ao mesmo tempo que me encontrasses?
Quando te achei… deixe-te fugir. Sim, ainda corri atrás mas não fiz tudo… talvez não resultasse mas teria sido melhor ter a certeza, do que nunca saber… fui… sou cobarde e convenço-me que é melhor assim, por pura preguiça de voltar a tentar achar-te.
A vida não é como os filmes… mas e se pudesse ser?... não devia pensar assim mas, por momentos, cedo à tentação de achar que tu existes e mais ainda, que te mereço! Deixo-me levar em sonhos em que te encontro e não quero acordar… porque… dói demais perceber que não devemos sonhar assim… dói demais apenas imaginar-te e saber que sou demasiado cobarde para te tentar encontrar…
Amanhã é outro dia talvez consiga não pensar em ti… amanhã…


FATifer

sábado, 18 de agosto de 2012

Últimas citações deste livro…


“After that, I didn’t have to think anymore. Or, more precisely, there wasn’t the need to try to consciously think about not thinking. All I had to do was go with the flow and I’d get there automatically. If I gave myself up to it, some sort of power would naturally push me forward.”


“The end of the race is just a temporary marker without much significance. It´s the same with our lives. Just because there’s an end doesn’t mean existence has meaning. An end point is simply set up as temporary marker, or perhaps as an indirect metaphor for the fleeting nature of existence. It’s very philosophical – not that at this point I’m thinking how philosophical it is .. I just vaguely experience this idea, not with words, but as a physical sensation.”


“But in real life things don’t go so smoothly. At certain points in our lives, when we really need a clear-cut solution, the person who knocks at our door is, more likely than not, a messenger bearing bad news. It isn’t always the case, but from experience I’d say the gloomy reports far outnumber the others. The messenger touches his hand to the cap and looks apologetic, but that does nothing to improve the contents of the message. It isn’t the messenger’s fault. No good to blame him, no good to grab him by the collar and shake him. The messenger is just conscientiously doing the job his boss assigned him. And this boss? That would be none other than our old friend Reality.”


“It doesn’t matter how old I get, but as long as I continue to live I’ll always discover something new about myself. No matter how long you stand there examining yourself naked before a mirror, you’ll never see reflected what’s inside.


“I have no idea whether I can actually keep this cycle of inefficient activities going forever. But I’ve done it so persistently over such a long time, and without getting terribly sick of it, that I think I’ll try to keep going as long as I can.”


“One by one, I’ll face the tasks before me and complete them as best I can. Focusing on each stride forward, but at the same time taking a long-range view, scanning the scenery as far ahead as I can. I am, after all, a long-distance runner.”


In “What I talk about when I talk about running” de Haruki Murakami


FATifer

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Abdico (?) do que não posso…


A decisão é estúpida mas está tomada, abdico de viver. Vou continuar a sobreviver sem propósito além da teimosia de querer existir (ou de não fazer nada para deixar de). Se viver por instantes perdoem-me, não é por mal, nem é minha vontade ser incoerente apenas o sou, por instantes…

Abdico de tentar perceber o mundo. Abdico de tentar ser um ser melhor. Abdico de tudo o que seria suposto merecer por pura preguiça de tentar conquistá-lo. Abdico da minha individualidade, vejam-me como mais um número, por favor! Abdico de ser diferente. Abdico de querer seja o que for que queria ou era suposto querer ter ou fazer…

Fosse eu capaz de fazer o que disse e não este cobarde que nem essa decisão conseguirei cumprir e faria o que escrevi, pois seria o mais lógico neste momento mas até o meu mundo lógico já perdi…


FATifer

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Continuando a citar…


Mais duas frases do livro que estou a ler:

“ Nothing in the real world is as beautiful as the ilusions of a person about to lose consciousness.”

“I think certain types of processes don’t allow for any variation. If you have to be part of the that process, all you can do is transform –or perhaps distort- yourself through that persistent repetition, and make that process a part of your own personality.”

Como anteriormente In “What I talk about when I talk about running” de Haruki Murakami

Desta vez não faço comentários… as frases “falam” por si.

FATifer

sábado, 28 de julho de 2012

Não posso ser eu…


Não posso ser eu… não devo ser eu… tenho de ser a versão educada, polida, disfarçada, mutada… tenho de fingir, tenho de agir, devo camuflar-me, devo…

Mas porquê?!

Porque o homem é um ser social, gregário. Porque não posso viver sozinho..

Mas porquê?!

De tanto fingir outra coisa já nem me reconheço, já nem sei como sou realmente… e ainda tenho de levar com os outros a pôr defeitos, a apontar culpas…

Mas porquê?!

Sim… eu sei… a pergunta não está certa… não devo perguntar “porquê” mas sim “como”… “como posso mudar isso?” mas, por momentos, deixem-me dar-me ao luxo de não querer ser perfeito. Por instantes deixem-me tentar a apenas ser eu, custe o que custar ao mundo! Daqui a pouco acordo e volto a tentar ser o que todos acham que devo ser, só para não gerar conflitos…

FATifer

domingo, 22 de julho de 2012

Citando…


… deixo-vos duas frases do livro que comecei a ler recentemente:

“To put the finer point on it, I’m the type of person who doesn’t find it painful to be alone.”

“Human being’s emotions are not strong or consistent enough to sustain a vacuum.”

In “What I talk about when I talk about running” de Haruki Murakami

Identifico-me com a primeira, também sou assim. Quanto à segunda, acho que sumariza muito bem a as minhas objecções em relação ao conceito de meditação…


FATifer

sábado, 14 de julho de 2012

Viagens no meu mundo… XIX


… voltei a descer a rua até à paragem do 28. Deste vez é de noite, vou apanhar o último eléctrico. Há um lugar à janela (claro que há, sou o único passageiro, por enquanto, tenho todos os lugares à minha disposição mas escolho o que tem a janela aberta). O balanço e a brisa na cara trazem sempre memórias… Saio em frente à Sé, destino o Chapitô.


Há muito que “devia” a um amigo aparecer num dos seus concertos. Depois de tantos convites hoje (que foi ontem) era dia de lhe dar essa alegria. Para quem goste de classificar e não sendo eu (nem querendo ser) nenhum expert na coisa, poderei afirmar que a música que se ouviu era “alternativa” mas isso pouco importa… o importante é ter gostado do que ouvi.

O caminho de volta a casa foi feito a pé (quer para fazer um pouco de exercício quer pela ilusão de assim queimar um pouco o álcool ingerido). É interessante ver uma cidade noite, observar como a “fauna” muda, como certos recantos ganham outra dimensão (ou perdem)… sempre gostei destes meus “passeios” à noite, de volta da borga… encaro-os como momentos de limpeza (a vários níveis!).

E foi assim a minha noite desta 6ªfeira 13….

FATifer

sábado, 7 de julho de 2012

fia 2012


Ontem fui à fia. Sem querer ofender ninguém (mas não estando muito preocupado que alguém se ofenda!) esta será uma, senão a única, peregrinação anual que faço. Sim já não me lembro de um ano (após a idade adulta, claro) em que não tenha ido a esta feira.
Adoro ver os diferentes artesãos e as suas ideias materializadas…
Nunca consigo sair dali de mãos a abanar… mas também ir a uma feira e não comprar nada…

Para o ano há mais!

FATifer

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Falando em velhos do restelo…


Ah e tal jogámos bem… ah e tal a espanha não jogou nada do que costuma porque não deixámos… pois e porque é que depois de tudo isto o melhor jogador em campo (João Moutinho) não está nada confiante para marcar … e falha! E como qualquer velho do restelo que se preze diria o Bruno Alves não é alguém que se escolha para marcar penalties! (o homem nem sabia a ordem dos marcadores!)… e falhou!


Mais uma vitória moral do país que conseguiu perder uma final em casa… se tivesse sido uma batalha a sério ganhávamos!

FATifer

PS – o título deste texto vem de um comentário da amiga Teté que dizia que velhos do restelo não eram chamados… pois mas como disse na altura, não os devemos ignorar por completo…

segunda-feira, 25 de junho de 2012

sábado, 23 de junho de 2012

Hoje ouvi…


Estive no Concerto voz e guitarra de Teresa Gabriel @ Per Lunam - bairro alto. rua da rosa, 80…  e gostei muito!

FATifer

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Agora não… agora sim!


O velho do restelo que há em mim só vê que a nossa selecção não tem um ponta de lança de jeito (ou melhor o que tem não jogou hoje). O selecionador é demasiado pragmático (para não dizer maricas – a última substituição … meter o Rolando!?).

O tuga que há em mim diz que o CR7 é o maior, que nos vai levar às costas até à final, venha quem vier!

Quarta-feira há mais…

FATifer

domingo, 17 de junho de 2012

Recomendo… II

Não é segredo para quem me conhece que gosto de chocolate. Uma das tabletes que mais consumo é esta:


… quem não provou recomendo!
Noutro dia comprei estas:


… e tenho que dizer que também recomendo vivamente!!

FATifer

domingo, 10 de junho de 2012

Viagens no meu mundo… XVIII

O dia de sábado começou com esta imagem que se viria a revelar profética dos dois que iriam perder os jogos… infelizmente… mas na altura que tirei a foto o que me chamou a atenção foi a desproporção das bandeiras, sendo que estava eu nos restauradores e não na Holanda!



Mas assim que chegou o autocarro, lá segui para Santa Apolónia. Comboio com destino a Porto Campanhã. Durante a viagem li quase todo o livro que foi parte do que me levou a rumar ao Porto uma vez mais… (e que recomendo uma vez mais!)

… o comboio chegou com cerca de meia hora de atraso mas eu não tinha pressa. Saí da estação e comecei a andar. Não é que conheça muito bem o Porto mas, quer acreditem ou não, mais curva menos curva, cheguei sem grandes desvios ao meu primeiro objectivo do dia, o Magestic!


Uma francesinha, um príncipe, um cimbalino e um porto depois… lá fora já chuviscava mas lá saí em direcção à feira do livro na avenida dos aliados.
Algumas voltas e uns sacos depois pedi o meu segundo autógrafo ao sr Rafeiro (só mesmo para ficar a “ganhar” a uma certa blogger que entretanto tinha chegado). Sim, como outros já tinham feito. O principal objectivo da viagem estava cumprido restava disfrutar da conversa com aquela que já era (e continua a ser cada vez mais) uma amiga (uma flor auto intitulada “selvagem”). O tempo não deu tréguas e finda a sessão de autógrafos do sr Rafeiro lá rumámos ao Guarany para as joves (como ele diria) se aquecerem (sim que eu pedi um mazagran). Havia um ecrã onde vi que a Holanda estava a perder com a Dinamarca, como acabou por perder.
Deixei o amigo Rafeiro e amigo Lontro veio buscar-me pois tinha cravado dormida na toca. E foi aí que vi o triste jogo da nossa selecção. Ok, triste mais no resultado ao qual não será alheio o facto de só terem começado a jogar à bola depois de estarem a perder. Felizmente a noite foi muito mais do que só futebol e a conversa na toca foi muito mais agradável! É um privilégio ser sempre tão bem recebido por ali.

Manhã de domingo de volta ao encontro do sr Rafeiro e da “sua“ Gata que seriam a minha boleia de volta à minha Lisboa.


Mais um fim de semana muito bem passado e para recordar…

FATifer

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Recomendo que experimentem…

Estava eu num supermercado à procura não sei bem do quê e dei de caras com o que podem ver abaixo. Gostando eu de coisas estranhas e de ambos os produtos, decidi comprar para provar e digo-vos que jogam bem os dois, o sabor é bem interessante!



FATifer

domingo, 3 de junho de 2012

Orgulho de ser Português!

Enquanto aquele conjunto de “estrelas” que se dizem jogadores de futebol (alguns são, mesmo falhando penalties, outros nem serem filhos de um os salva!), fazem as tristes figuras que quem teve a triste ideia de ver o jogo no sábado assistiu (se tivesse pago bilhete para ver aquilo estava bem mais chateado ainda, já que assim “só” perdi o meu tempo); hoje um desportista muito mais digno desse nome, conseguiu finalmente subir ao pódio (mesmo que ainda só ao degrau mais baixo). Foi com grande alegria que vi o Miguel Oliveria ficar em 3º lugar na corrida de moto3 no grande prémio da Catalunha hoje. Só espero que continue e suba mais alto da próxima!


(foto do público.pt )

FATifer

terça-feira, 29 de maio de 2012

Monólogo de mim… VII

A decisão racional seria já ter desistido e aceitá-lo mas se a racionalidade nos faz  homo sapiens sapiens a capacidade de acreditar faz-nos seres humanos… por isso, ou só por teimosia minha, continuo a acreditar ignorando todas as evidências, provas até… estaria melhor se já tivesse desistido? Não sei… o melhor ou pior carecem sempre de um referencial, não são absolutos (pelo menos no meu mundo). Estou bem assim? Estou… podia estar melhor? Podia... (ah pois o referencial!)… perco tempo a pensar no assunto? Perco… tempo demais? Talvez… não faço nada além de analisar? Ah pois, esta é a questão essencial! (como diria o outro)… e sendo a resposta afirmativa adensa-se o “problema”… ou será que se simplifica? A resposta seria simples, há que fazer alguma coisa! Pois mas… não há garantia de sucesso e fazer o quê? Garantia de sucesso? O que é isso? …Fazer o quê? Agir… sair do mundo das ideias e fazer algo nem que seja asneira! Uma asneira só o é realmente se não retirarmos nenhum ensinamento dela… pois… a teoria é bonita… a prática… a prática é o que falta! (agir remember!) na prática não agir é em si também uma acção… que bonito, que filosófico, que metafísico mas e quando deixas de fugir e fazes qualquer coisa? Fugir? Eu? Sim, fugir… tu sim! Fugir que é como quem diz arranjar todas as explicações (desculpas) para não fazer nada, para te manteres nesta zona de conforto que só é confortável aos teus olhos de ser acomodado com medo da mudança! Porque algo de novo é ao mesmo tempo fascinante e assustador… Hello! Acorda!!


… por vezes dou comigo a repreender-me… ao menos não falo alto, só escrevo.

FATifer

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Fugir da rotina…

Por vezes é bom fazer algo diferente… e foi o que fiz hoje. Fui ver a apresentação da temporada 12/13 à Gulbenkian e soube tão bem ouvir um pouco de música clássica…

… há sempre um mundo novo para descobrir basta olhar em volta e querer ver!

FATifer

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Crónica de um motociclista…

A cena que vou relatar passou-se no parque de estacionamento do centro comercial Amoreiras embora queira acreditar que este facto não seja relevante para a história. Estava eu a entrar na minha menina (moto) maior e vejo passar um dama num GSXR 600 branca (para quem não sabe trata–se de um modelo de moto desportiva da marca SUZUKI, a mesma das minhas duas motos). Fico sempre contente de ver uma mulher montada aos comandos de uma moto (porque infelizmente ainda não se vê muitas). Claro que o meu poder de observação rapidamente fez esmorecer o contentamento quando reparei que a lady ia de chinelos e não vi sombra de casaco, pelo contrário, vi sim um belo decote (o que em si não é mau, é verdade). Para completar o ramalhete, por assim dizer, dizer que (embora como sabem não seja adepto de mulheres muito magras) a donzela em causa estava um pouco para além do meu ideal de figura (o que é o mesmo que dizer que era para além de gordinha, pelo que o decote, que referi anteriormente, mostrava, ou melhor permitia imaginar um par de mamas a dar para tetas).
Feito o relato (que espero não ter sido demasiado ofensivo) fica a reflexão sobre a dualidade de ver algo que gostamos (uma bela moto com um mulher aos comandos) e, ao mesmo tempo, não nos agrada por aí além (ser uma mulher demasiado gorda e algo inconsciente, ou pelo menos sem amor aos pés!)… 
Enquanto escrevia estas linhas lembrei-me de uma foto (é mesmo à tuga da minha parte, o “é mau mas podia ser pior”) ora vejam:


Sim é uma DUCATI mas é caso para exclamar: TADINHA (da moto!).

FATifer

domingo, 20 de maio de 2012

Gostei…

Sim, não sendo um filme do outro mundo, acho que está bem conseguido e a banda sonora está bem escolhida…


Deu para divertir...


FATifer

domingo, 13 de maio de 2012

Olhares meus…

Hoje deixo-vos com 3 fotos.


A primeira tirei ontem quando fui à minha faculdade para mais uma assembleia da associação de antigos alunos onde apenas compareceram 12 pessoas, sendo que apenas eu e outro não pertencíamos aos órgãos sociais da referida associação… parei a moto, olhei para o canteiro e apeteceu-me tirar a foto…


A segunda, é de um cacto que alguns já devem conhecer e que agora deu em florir todos os anos!


E por fim, a terceira, é de uma outra planta da varanda dos meus pais…


Ficam assim 3 olhares meus…


FATifer

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Viagens no meu mundo… XVII

Desço até aos prazeres e ligo a um amigo “parabéns a vocês dois por este dia, uma abraço e um beijinho à tua mulher e que celebrem este dia por muitos anos!”… continuo a andar e chego à paragem do elétrico. Olho para o placar, vou ter de esperar uns minuto… ligo os phones ao telemóvel e coloco o player em shufle – Carlos Nunez – Mayo longo começa a tocar. Olho duas turistas a fazer fotos de tudo até do placar da paragem (e nem são japonesas!)… aparece mais um casal de noruegueses diria. Chega finalmente o elétrico entro e sento-me à janela… que saudades deste balançar… a basílica da Estrela já se avista… mais subida, mais descida, mais curva e contracurva e estou na bica sigo em direcção ao restaurante Sommer onde os meus amigos já esperam à porta…

Entramos, sentamo-nos, conversamos enquanto miramos as ementas e tentamos escolher… mesmo sendo a ementa do restaurant week é difícil escolher só um de cada! Lá escolhemos, vamos provar uns do outros… ela não gosta disto mas ele gosta daquilo e o vinho qual vai ser? Lá escolhemos um Monte da Ravasqueira, 2010 que se revelou uma boa escolha.
“A entrada estava excelente! O que achaste da tua? Muito bom”… vêm os pratos e pede-se mais uma garrafa de vinho… e lá vêm as sobremesa… “prova com a hortelã… excelente não é?”
…amanhã trabalha-se não podemos ficar mais… “dou-te boleia… não deixa estar, vou a pé com eles, para desmoer”
Chego a casa e escrevo estas linhas só para registar uma noite muito bem passada, quer pela comida, quer pela companhia… são momentos destes que fazem esta vida valer a pena!

FATifer

domingo, 6 de maio de 2012

Foi um sucesso!



Tive hoje o prazer de receber um exemplar autografado do último livro do amigo Rafeiro e tenho a reportar que ele hoje esgotou os livros que havia disponíveis para venda na feira do livro!
Um abraço para ele e que as venda continuem assim! 

FATifer

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Só acontece a quem anda… II

… talvez tenha batido o record da queda mais estúpida que tive na vida. Em todas as outras consigo pelo menos apontar algo que fiz (e não devia ter feito) e que, pelo menos, promoveu o triste fim que é confirmar que o chão é duro. Mas ontem não consigo ver isso, a única coisa parva que fiz foi travar para dar passagem a quem não tinha prioridade… e estava muito bem a travar e de repente dei comigo no chão! Eu sei que só tem duas rodas, eu sei que era empedrado, eu sei que estava molhado… mas ainda não percebi o que aconteceu… a única explicação plausível será óleo…

Bem como sempre (e felizmente) os danos foram só materiais (embora tenha aqui um joelho a dizer que existe). Mais um pedal e uma manete de travão para comprar e estou limitado a minha mais pequena mas a vida continua…

FATifer

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Divagando…



… olhava esta foto e… pensava até que ponto pode ser alegórica da situação em que nos encontramos? Sim está tudo escuro… sim temos uma luz a passar por uma janela bem ornamentada… sim há para ali um reticulado… e uma cruz…

Pois, se calhar, é melhor não continuar a desenvolver a coisa… apreciem mas é a foto se quiserem (e acharem que é digna disso).


FATifer

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Morto ou moribundo?

Pergunto-me porque ainda não acabaram com este feriado? Sim porque o que se assinala hoje há muito que não é honrado. Agora isso apenas está mais visível pois deixaram de achar que tinha de fazer de conta e arranjaram uma “desculpa” que julgam que justifica tudo. Este país que somos está cada vez mais triste… Salgueiro Maia, onde quer que estejas, desculpa por não sermos dignos da tua coragem… está tudo a voltar para trás e nós deixamos!


FATifer

sábado, 21 de abril de 2012

Recomendo…

Recomendo o livro aqui muito bem publicitado!




 FATifer


PS – …continuando em maré de recomendações, recomendo também (embora ainda não tenha lido) o novo livro do meu amigo Rafeiro.


sábado, 14 de abril de 2012

…todo o mundo é composto de mudança…

Foi a frase (e o poema) que me lembrei ao tentar classificar a minha última experiência profissional até agora. Vou para a segunda mudança de funções. Sim sou flexível, sim sou adaptável mas … sei lá… porque raio tenho de estar sempre a prová-lo?!

Fiquem com o poema e com a canção do José Mário Banco, que eu sei que estou a reclamar de barriga cheia…

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía

Luís Vaz de Camões



FATifer

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Viagens no meu mundo… XVI

Há pequenos prazeres que não dispenso, um deles é treinar o meu gosto por vinhos velhos. Ontem bebi este:



Não sendo nada de conhecido, nem eu sendo um conhecedor, é bom provar algo com esta idade e que soube mesmo bem.
As férias estão a acabar e a casa está mais arrumadinha, a ver se consigo manter este espaço onde habito mais apresentável para poder começar a receber visitas (não aceito marcações, temos pena).
O tempo não se decide entre granizo e sol pelo que ficar em casa é a melhor opção uma vez que ainda não me dediquei ao parapente (ou kitesurfing) que deve ser para isso que este vento é bom!
Bem para acabar, relembro este excelente vídeo, porque não consigo deixar de rir sempre que o vejo! Enjoy (mesmo que já conheçam).




FATifer

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Cães e carteiros...

Se o mundo fosse como os teoremas matemáticos tinha acabado de provar que a teoria de que os cães não gostam dos carteiros é falsa. Digo isto porque acabei de ver uma sra carteiro (carteira soa mal não é?) a ser efusivamente cumprimentada pour um cão aqui na rua. Ok, até podemos considerar que sendo uma mulher estou logo à partida a mudar as regras mas é um facto que o cão estava contente de vê-la e não ladrou ou tentou mordê-la. A dona do cão até estava com alguma dificuldade em acalmá-lo…


As coisas que vejo da minha varanda…

FATifer

sexta-feira, 30 de março de 2012

Férias…


Ah… férias… já tinha saudades! Por mais que o ano passado tenho passado cerca de 7 meses de “férias” é sempre diferente a sensação de saber que estamos de férias realmente. Sim a próxima semana vai saber muito bem, por muitas razões…

Estou de férias e desejo a todos um bom fim de semana!


FATifer

domingo, 25 de março de 2012

… mais uma semana

Esta foi uma semana interessante (além daqueles que ficarão na esfera privada), 2ª feira fui à casa Fernando Pessoa ouvir dois alunos da escola do hot club e ontem voltei lá para ouvir um recital de poesia que até teve como bónus a actuação do João Afonso. Foi uma tarde bem passada…


Por falar em poesia convido-vos (quem ainda não viu) a ver e ouvir este Homem:



De resto, para os que desejaram que tudo corresse bem, tenho reportar que a minha querida mãe já foi operada e está tudo a correr bem, por mais que a recuperação seja lenta e chata por obrigar a repouso quase absoluto.

Ah e já tenho uns óculos novos…


FATifer

domingo, 18 de março de 2012

Viagens no meu mundo… XV _ um dia histórico

É verdade, acrescentei um subtítulo à numeração pois ontem foi, na verdade, um dia histórico. E porquê perguntam vocês? (relembro que estamos no meu mundo pelo que a importância do que se segue tem de ser vista a essa escala, sim estou a engonhar só para vos fazer sofrer gente curiosa :P). Ontem passei a ferro a minha primeira camisa (e mais nove de seguida)! Eu sei, para vós o espanto estará, principalmente para aqueles que sabem a minha idade, em como só agora cheguei a tão básico ponto da evolução humana (e até já estou a ver alguns com alguma inveja mal disfarçada). Pois é, gostava de dizer que foi por uma razão altruísta e nobre mas não é bem o caso, foi mesmo porque, infelizmente, a minha mãe não pode (ou deve) sair da cama dado que está com um descolamento de retina ao qual vai ser operada em breve. (Aqui impõe-se uma explicação para os que já estão escandalizados de ainda ser a minha mãe que passa as minhas camisas a ferro. É algo que ela faz porque quer, repetidamente disse que o faria se ela assim o entendesse mas dada a perícia e disponibilidade seria estúpido da minha parte não aceitar que ela o faça – orgulho sim mas sem ser parvo!).

Passado o anúncio solene de que finalmente desbravei a última fronteira que me faltava nas lides domésticas, continuo esta viagem com a informação que terei em breve óculos novos. Não por vontade própria mas porque estando os actuais partidos e a colar a ver se os consigo usar até ter os novos (não podendo aproveitar as lentes pois não há armações iguais e sendo que é “raro” uma das minhas lentes estar em stock pelo que tem de ser sempre encomendada), não tenho alternativa senão esperar por uns novos mas aproveitei para tentar mudar de visual.

Termino mais esta curta viagem com mais um dos meus dos olhares desta minha Lisboa…



  
FATifer

sábado, 10 de março de 2012

Fotos…

A vontade/inspiração não é grande por isso deixo-vos as últimas fotos “artísticas“ de minha autoria…



Será que o mundo tem de ser sempre visto focado e nítido? Acho que esta foto tem o seu encanto assim….


Da minha varanda… (tal como a anterior)


Por fim a prova que boa parte da barba foi aparada (como se mudando o aspecto algo mais mudasse…)


FATifer

sábado, 3 de março de 2012

Estou triste…

Estou triste… porque perdi a vontade de estar feliz.
Estou triste… porque, por momentos, deixei de acreditar que algo melhor virá.
Estou triste… porque não quero fazer o esforço de não estar.
Estou triste… porque me sinto cada vez mais perdido em mim e na vida.
Estou triste… porque não sou a pessoa que penso ser.
Estou triste… porque estou farto de fingir…
Estou triste… porque começo a não distinguir a máscara da cara.
Estou triste… mas talvez amanhã esteja feliz…

FATifer

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

“Um Encontro Perfeito” – desafio (parte V)

Vem à varanda e sente o vento quente daquele fim de tarde de verão, lá se foi o efeito refrescante do gel de banho, pensa. Olha ao longe o sol a querer mergulhar no mar e sorri. Volta para dentro e dirige-se à garagem, pelo caminho passa pela cozinha e agarra numa mala térmica que coloca na bagageira do carro. A porta da garagem abre e arranca. O caminho pela marginal é feito num instante. Estaciona o carro ao lado do carro dela e dirige-se ao elevador. Na porta do apartamento um bilhete “entra que estou a tomar banho”. Timing perfeito, pensa. Usa a chave para entrar, como fora instruído e dirige-se à cozinha colocando o conteúdo da mala térmica no frigorífico.


- Estou no banho mas podes subir.
- …vou já, estou só despir o casaco.

Sobe as escadas e dirige-se ao quarto, espreita pela porta da casa de banho. Na banheira circular cheia de espuma está uma mulher de longos cabelos castanhos avelã, olhos azuis, rosto angelical. Vê a ponta de um joelho e as mãos e braços aparecendo ocasionalmente por debaixo do mar de espuma.

- …chegaste cedo.
- mas já estavas à espera, deixaste o bilhete.
- Já te conheço… queres entrar?
- … tentador mas já tomei um duche ainda à pouco. Acaba que eu fico ver-te.
- Voyeur!
- … diz o roto ao nu.
- A nua ao vestido neste caso concreto.

Soltam ambos uma gargalhada.

- Bom vou lá abaixo fazer uma chamada, acaba o teu banho…
- … fazer uma chamada?... hum… vou fingir que acredito… que é que tu andas a magicar?
- Eu? Magicar?
- Sim tu… vai lá que ainda vou escolher o que vestir.
- Não preciso assim de tanto tempo para a chamada.

Voou um sabonete em direcção à sua cabeça mas ele desviou-se a tempo.

- Estás a melhorar a pontaria!
- Vê lá se queres que acerte!
- … fica para a próxima, até já…

Saiu da casa de banho e houve um compasso de espera antes de se ouvir os seus passos escada abaixo dirigindo-se à cozinha. Ela levantou-se, saiu da banheira e foi até à cabina de duche para passar o corpo por água. Sente os músculos contraírem e a pele arrepiar-se enquanto a água fria escorre pelo seu corpo. O duche frio dura apenas alguns segundos, sai da cabine de duche e olha-se ao espelho enquanto se enxuga. Lembra quantas vezes ele tomou esse papel e quão bom é ser enxugada por ele, “espero que tenha uma boa desculpa para se ter escusado a isso hoje”, pensa enquanto se observa ao espelho, as suas formas, muitos já disseram perfeitas. Pendura a toalha e vem para o quarto, em cima da cama um lindo vestido branco cumprido e leve, quase transparente. Como é que adivinhou que ia escolher este? Pergunta-se enquanto escolhe a lingerie a condizer. Veste-se calmamente e perfuma-se. Desce as escadas devagar. A voz melodiosa de Esperanza Spalding enche o ambiente numa música calma que reconhece “short and sweet” mas dele nem sinal. Olha para o terraço. Uma mesa e duas cadeiras ladeadas por uns archotes acesos parecem esperar por eles. Em cima da mesa um frapê onde se distingue o topo de uma garrafa com a rolha pronta a ser tirada, ao lado uma taça com morangos e dois flute. Ao longe o sol acabado de mergulhar no mar ainda tinge o céu de um laranja vivo especialmente na linha do horizonte. Dirige-se para o terraço na expectativa… não o vê, passa pela mesa e não resiste a tirar um morango que trica com aquela suavidade selvagem que só as mulheres sabem ter. Dirige-se até à ponta terraço sentido a brisa quente de verão moldar-lhe o vestido ao corpo. Ouve finalmente a rolha a saltar como esperava e o som de copos a encher. Vira-se, ele tem uma rosa na boca e da sala ouve-se os primeiros acordes de um tango. Ela sorri e dirige-se a ele, tira-lhe a rosa com a boca, ele agarra-a e começam a dançar. O espectáculo seria digno de ser visto mas não têm público, interpretam a música como dois amantes que são, na cara de ambos é evidente o extremo prazer que têm de dançar juntos. A música acaba, a flor está desfeita no chão de tantas passagens de boca em boca. Olham-se nos olhos, abraçam-se e vêm até a mesa para se refrescarem com champanhe e deliciarem com os morangos.

- Estiveste bem… não estava à espera desta.
- É bom ainda te conseguir surpreender…
- …humm estes morangos estão divinos…
- …ai sim? Deixa provar…

E come o resto do morango que ela ainda tinha por fora da boca tudo misturado com um beijo.

- Tens razão… estão óptimos!
- Lambão…

Os morangos e o champanhe não duraram muito, ela olha-o com cara de quem quer mais, ele pega na mão dela e dirigem-se à cozinha. Em cima da bancada está um pote com mel, uma taça com chocolate derretido e ainda outra com morangos.

- Vamos queimar estas calorias todas?
- …era essa a ideia, porquê não te agrada o programa?
- Acho que falta qualquer coisa…

Ele dirige-se ao frigorífico e tira uma taça com chantilly e outra garrafa de champanhe.

- … melhor assim?
- Sim, agora está melhor…

Pegaram nas taças e rumaram ao quarto. A noite ainda estava a começar e muitas danças havia ainda pela frente…


Fim

FATifer

“Um Encontro Perfeito” – desafio (parte IV)

Parou a moto à frente do que fora outrora o alpendre, diante si os restos da cabana em escombros. Nunca mais tinha tido coragem voltar a este lugar. Perguntava-se porque o teria feito? Sim o bilhete, era real, a sms… também… mas… porque estava ali? O que esperava encontrar?


Não queria pensar no que tinha acontecido naquela noite mas estando ali, era difícil evitar. Até hoje tinha-se sempre focado na parte boa, aquela visão de Catherine deitada no chão em frente à lareira era como a queria recordar. Desligou a moto, retirou o capacete. “Agiste sem pensar”, pensou para consigo. “O que estás aqui a fazer?”, “Quem estará por detrás disto?” perguntava-se olhando em volta. Por fim cede e recorda os eventos daquela noite. O grupo de homens que entrou na cabana. A forma com a levaram para um carro. O prazer com que lhe haviam batido e deixado por morto. Recorda depois a forma como matou um a um todos eles, ainda consegue ver as suas caras suplicando pela vida. Mas todos disseram que ela estava morta e por isso deixou de procurar… Apetece-lhe gritar e até podia mas para quê? Há anos que a sua vida era só trabalho para não ter de se lembrar dela e agora estava aqui, de volta a este local, qual marioneta no jogo de alguém, mas quem? Quem poderia ainda conhecer aquela sua história?

O som de um carro ao longe fá-lo voltar ao presente. Fixa o olhar no caminho. À medida que o som se torna mais próximo, um sorriso nasce no seu rosto. Reconhece o som, é um Jaguar E type. Alguém tem um sentido de humor perverso mas está decido a pagar para ver quem.
O carro aparece por entre as árvores e pára a uma distância que não lhe permite identificar quem está atrás do volante. A porta abre-se, a luz da lua cheia ilumina o vestido branco…

- Catherine?...
- …
- … é impossível! Tu estás morta!
- Não Ricardo… tinha de pagar a minha dívida, disse que traria o jag da próxima vez…
- …mas…
- Não me peças para explicar. Sei tudo o que fizeste. Como me procuraste. Mas eu não podia deixar que me encontrasses. Acredita em mim e perdoa-me.
- Catherine…

Estavam frente a frente, olhos nos olhos. Ele estende a mão e toca-lhe no rosto, ainda na dúvida se o sentiria. Limpa a lágrima que escorria já face abaixo e abraça-a. As bocas encontram-se sedentas uma da outra. Os corpos colam-se. As mãos passeiam-se e os corpos acusam o seu toque. Ouve-se um tiro e no mesmo instante os dois amantes jazem inanimados ao luar.



- Acaba assim? Não gosto!
- …não?
- Não!
- … mas sou eu que estou a escrever…
- Sim mas pediste a minha opinião.
- É verdade…
-… já sabes que gosto de finais felizes e este é muito triste! Acho que levaste a tua mania de surpreender o leitor longe demais.
- Aceito o teu ponto de vista mas vais ficar assim. Agora tenho de desligar, obrigado pela opinião. Beijo.
- E …


João desligou, tinha de acabar de formatar a história para enviar para o editor. “Falta aqui um ponto e um espaço, isto tem de ser em itálico, pronto terminei, agora é só enviar. Já está.” Pensava alto à frente do pc. Levanta-se e dirige-se à casa de banho. Despe-se e entra no duche. Deixa a água quente escorrer pelo corpo. Agora que tinha acabado não queria mais pensar em nada, concentra-se apenas na água, o som que faz ao cair na sua pele.
A custo fecha a torneira. Estendo a mão pega no toalhão para se enxugar. De volta ao quarto abre o armário de escolhe umas calças e uma camisa, olha para baixo para escolher os sapatos e lá se decide. Coloca as roupas em cima da cama e os sapatos no chão e volta à casa de banho para se perfumar. De volta ao quarto veste-se em frente ao espelho pensando no que tem planeado para essa noite.


Continua…


FATifer

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

“Um Encontro Perfeito” – desafio (parte III)

- My darling Catherine… vamos… ao nosso lugar…

- Ao nosso lugar?

Ele pára, vira-a para ele e olhando bem no fundo dos olhos dela diz…

-Por uma vez vais deixar-me fazer-te uma surpresa, pode der?

O sorriso dela combina com o brilho no olhar…

- Vou?...
- Vais… e agora vamos voltar para o carro que não quero que te constipes.
- Yes sir!

Retomaram o caminho de volta ao carro abraçados. Ele sentia o coração dela ligeiramente acelerado, sabia o quão difícil era para ela fazer algo que não soubesse o que era. Não lidava bem com surpresas, por isso estava algo espantado de ela não ter oposto mais resistência ou pelo menos insistido na pergunta. Entram no carro.

- E…
- E o quê?
- …onde vamos afinal?
- Arranca que eu vou fazer de gps.

Ela soltou uma gargalhada e arrancou com um ligeiro exagero de acelerador. Seguem em direcção à serra de Sintra com ele sempre a dar indicações imitando uma voz robótica.

De moto, todos estes anos depois, relembra as indicações que lhe dera enquanto refaz exactamente o mesmo percurso. Já está perto e mergulha de novo nas recordações daquela noite.

- É ali ?
- Sim.
- …o que é aquilo?
- … é o nosso lugar, como te disse.

Ao longe avistava-se o que parecia uma cabana de montanha, quase toda em madeira apenas uma chaminé de pedra era visível.

- Só me trazes a sítios chiques.
- …não julgue pelo embrulho, por favor.

Pararam o carro em frente ao alpendre e saíram. O ar húmido deixou-a arrepiada de novo. Antes de a cobrir de novo com casaco, passa os olhos pelo seu decote e repara nos mamilos hirtos. Ela finge que não percebe para onde ele está a olhar preferindo dirigir-se à porta. Entram, ele acende uma luz e dirige-se à lareira do lado esquerdo da divisão. Ela olha em volta. Era difícil classificar a decoração até porque numa única divisão, além da lareira, havia cama mesa e tudo o mais. Na parede adjacente à lareira um mapa ladeado de duas pistolas e uma catana, tudo de aspecto antigo, prendem a sua atenção.

- Eram do meu bisavô…
- O quê?...
- O mapa, as pistolas e a catana eram do meu bisavô materno.
- …ah mas eu não perguntei nada.
- Sim mas estavas a perguntar-te.
- … tens a mania que me conheces mas enganas-te. Eu até estava a olhar para …
- Para o ramo de flores secas no aparador ali ao canto certo?
- … pensei que ias dizer a cama…
- … darling, também olhaste para ela mas conheço-te o suficiente para saber que seria o mapa era a primeira coisa que prenderia a atenção nesta sala.
- Pronto tens razão… e essa lareira já está acesa ou não?
- ..está quase.

Olhou em volta e lá viu a ramos de flores secas que ele mencionara e que ela ainda nem tinha reparado. Dirigiu-se ao aparador e ficou a olhar uma escultura em pau preto, um corpo feminino estilizado numa pose muito sensual.

- Vais dizer-me que foi o teu bisavô que fez?
- Não foi um amigo dele. Esse homem era um artista, aquele quadro que vês por cima da cama também é dele.

Sente-se um aroma a pinhas, a lareira estava acesa finalmente. Ela vira-se, olha o quadro que ele referira, um pôr do sol na savana pintado em cores quentes em traços largos e fortes.
Sente as mãos dele na sua cintura e o queixo ombro. Ele murmura-lhe algo ao ouvido e dirigem-se para o canto oposto à lareira onde está um frigorífico e um armário por cima de um lava-loiça. Ele liga uma luz por baixo do armário para iluminar a bancada. Abrem-se portas e gavetas.

- Hum… sim… e…
- Ah estava a ver que não vias…
- Pois pode ser também…

Enquanto ele corta o queijo e o presunto aos cubinhos e colaça num prato ousado na bancada ao lado do frigorífico ela pega nas duas peles que enfeitavam o sofá e coloca-as no chão em frente à lareira e desliga a luz de cima. Ouve-se o som de uma rolha. Ele vira-se com o prato numa mão, os copos e a garrafa na outra e tem de fazer um esforço para não deixar cair tudo. No chão, deitada em cima das peles, ela olha-o com desejo. A luz da lareira atrás de si ilumina os seus cabelos ruivos que parecem em chamas, as suas formas parecem realçadas pela luz tremilicante da lareira.


Continua…


FATifer

sábado, 18 de fevereiro de 2012

“Um Encontro Perfeito” – desafio (parte II)

Ouve-se um som e sente um pequeno tremer no bolso. Lentamente retira o telemóvel do bolso e lê a sms que acabara de receber:


“…acorda… não duvides porque sabes que é verdade o que estás a pensar, decidi pagar a minha dívida. Beijo”

Instintivamente olha em volta como que a confirmar que não está a ser observado. Embora neste caso mais parecesse que estavam a ler-lhe o pensamento. Volta a olhar o cartão, sim é a letra dela, não há dúvida!
Baixa a cabeça e fecha os olhos. Inspira profundamente e sente o ar passar entre os dentes semicerrados enquanto expira. Não há como resistir, e porquê tentar se esperava por este dia há anos?!
Pousa o telemóvel e o cartão em cima da cama e despe-se. Liga o sistema de som com o i-pod em shufle e dirige-se para o duche. A voz de Dianna Krall enche o espaço “I’ve got you under my skin…”
De olhos fechados deixa a água cair-lhe nos ombros e sente o corpo relaxar. Tenta não pensar em nada e apenas sentir a água quente.
Sai do duche e reentra no quarto, voz de Ana Moura inicia o “fado da procura”…
Dirige-se ao roupeiro tira umas calças de ganga e uma camisa branca. Vai-se vestindo enquanto recorda o caminho que tem de para percorrer. Desce até à cozinha, “let go” dos Frou Frou ouve-se no sistema de colunas pela casa toda. Abre um croissant que recheia com queijo fresco e salmão fumado, sumo de lichia para acompanhar. Agora ouve-se a voz de Dolores O’Riordan “stay with me”. Acabada a refeição leve dirige-se à garagem, pelo caminho desliga o sitema de som, pega na carteira, telemóvel, blusão, capacete e luvas. Entra na garagem e fica a olhar, qual levar? Decide-se pela Ducati SC1000. O som “desmo” enche o espaço e a alma. Calça as luvas e coloca o capacete enquanto a porta da garagem abre, monta e arranca, destino Sintra.
Percorre as ruas de Lisboa em direcção à marginal, sim por esse caminho vai demorar mais mas tem tempo. Pelo caminho recorda o que se passara anos atrás. Está de novo sentado num banco na Praça do Império, em Belém, vê uma mulher alta, com longos cabelos ruivos, pele branca, olhos verdes dirigir-se para ele. Ainda está a apreciar o seu vestido prático mas elegante e as formas que cobre quando ela lhe pergunta, num tom jocoso, onde são os Pasteis de Belém. Sorriem e beijaram-se.

- …que olhar era aquele que me estavas a fazer?
- …olhar? Qual olhar?... este?
- Sim esse… este vestido é assim tão transparente?
- Não, fica-te muito bem…
- Pois mas já estavas a ver-me sem ele.
- … calma lá chegaremos…
(afirmara com um sorriso e um olhar confiante)
- … querias… mas quem te disse que vais ter?
(riposta ela com um sorriso maroto)
- …vamos lanchar… tudo a seu tempo darling.

Puxou-a pela mão e dirigiram-se aos pastéis de Belém.

Um carro fez uma travagem brusca à sua frente que o obrigou a desviar-se, por momentos voltou ao presente mas depressa está de novo naquele fim de tarde…

Depois dos pastéis e do café dirigiram-se ao carro dela.

- Já te disse que adoro este teu carro?
- Sim, todas as vezes que andas nele…
- É um clássico…
- Sim até compreendo que não se veja muitos DB5 neste país…
- Entre este Aston Martin e o Jaguar E type não sei qual gosto mais…
- Ok, da próxima trago o jag…

Ele solta uma gargalhada enquanto entram no carro. Arrancam.

- Onde vamos?
- Darling… que tal irmos ver o por do sol ao guincho?
- Parece-me muito bem.
- Ainda bem…

Entram na marginal e desfrutam da paisagem, o céu quase está limpo, apenas se avistam umas nuvens altas mas a visibilidade é estupenda e a vista deslumbrante. Abrem as janelas e sentem a aragem fresca e o cheiro a mar.
Chegados ao Guicho estacionam e saem em direcção ao areal. O vento fresco deixa-a arrepiada. Ele retira o casaco e cobre-a. Sentam-se olhando o mar, ouvindo o som das ondas, sentindo o cheiro a maresia e  uma gota ou outra trazidas pelo vento a bater nas suas faces. Ele está por trás dela e abraça-a, ela vira a cabeça… olham-se… apesar de nada dizerem, conversam com o olhar. Por fim trocam um beijo, doce, quente, prolongado.

- Adoro não conseguires evitar corar quando te beijo.
- …meu querido, há coisas que não se controlam…

O reflexo do pôr do sol nas nuvens fazia-las mudar de cor de laranja fogo a carmim ou seria salmão? Não fosse uns laivos de cinza aqui e ali pareceriam farrapos de algodão doce tingido de rosa…

- …por mais que aconteça todos os dias não me canso de assistir a este espectáculo…
- Sim foi uma óptima ideia vir aqui, embora esteja a ficar gelada.

O sol mergulha de vez nas águas e a luminosidade começa a diminuir.

- E agora onde vamos?


Continua…


FATifer

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

“Um Encontro Perfeito” - desafio

Enquadramento:


Este texto nasce do desafio da Orquídea Selvagem. Por mais que reafirme que não é meu hábito responder a desafios, desta vez abro uma excepção porque me apetece (e porque ela merece). Ora, como penso que todos concordarão, o conceito de “perfeito” é altamente subjectivo, tal como os conceitos de “lamechas” e “romântico” e outros que tais. Assim façam os juízos que entenderem que eu escrevo o que quero, porque me apetece!
Como diria o outro, qualquer semelhança com a realidade é pura ficção…


Era um fim de tarde como tantos outros, voltava para casa mergulhado nos pensamentos do que tinha deixado por fazer. Caminhando pelas ruas em passo estugado estava quase alheio ao que o rodeava, como que em modo automático, tudo era apenas interpretado como sendo ou não um potencial obstáculo à sua passagem, nada mais. Por mais que tivesse olhado não viu o canteiro de flores multicolores, o rapaz que passeava o cão, a mulher que levava o gato ao colo, o mendigo que olhava o copo com umas moedas no fundo, o desenho da calçada onde faltava uma pedra, os raios de sol a passar por entre as copas das árvores. Tudo parecia a preto e banco ou nem isso. Caminhava decidido mas na sua mente ainda estava à frente do computador, a analisar a melhor forma de colocar aquele gráfico ou qual a ordem mais conveniente dos slides. Decididamente o percurso a pé que se obrigara para desligar do trabalho não estava a dar resultado mas já está perto de casa.
De repente um aroma suave e floral desperta-lhe os sentidos. Olha para trás mas já só consegue distinguir o som de saltos altos na calçada ao dobrar da esquina. Pára e fica a fitar a esquina ao fundo da rua estreita que estava a subir.

“Não pode ser” pensa, “este perfume, só ela o fazia!...”.

Parte dele quer voltar-se para cima e continuar a pensar nos slides mas continua estático a olhar o fundo da rua, onde o som dos saltos deixou de ser perceptível. Corre e dobra a esquina, nada vê. Teria sonhado?
Volta a dobrar a esquina e sobe a rua, agora mais desperto ao que o rodeia, por mais que intrigado com a forma como havia “despertado”. Olha o candeeiro antigo e a vidraça partida daquela janela onde em tempos estava uma velhota a ver quem passava. Sente a calçada irregular debaixo dos pés e a brisa na cara. Pára à porta de casa, tira a chaves do bolso, abre a porta e entra. Coloca o casaco no cabide que pendura no bengaleiro à entrada e sobe a escada para o quarto. Ao entrar no quarto vê um pequeno envelope em cima da cama. Dentro do envelope, sem nada escrito por fora, encontra um cartão onde se pode ler:

“22h no nosso lugar… beijo”

O envelope cai a seus pés e fica imóvel a olhar para o cartão na sua mão.



Continua…


FATifer