domingo, 14 de setembro de 2008

Ninguém me conhece…

Ninguém me conhece… nem eu… nunca deram convosco a pensar “porque fiz eu isto?” ou “porque não fiz eu aquilo?” … por mais que nos esforcemos, parece que nunca nos conhecemos completamente… sim, isso não é necessariamente mau, depende da nossa atitude perante vida… até porque para nos conhecermos temos que viver!

Ainda me lembro do dia que tomei consciência de mim, do dia a que associei uma imagem à minha imagem de mim, do dia que olhei ao espelho e pensei “olha este sou eu…” bem como o dia em que interiorizei que sou louro, ou melhor alourado, sim, foi na aula de inglês e a expressão usada foi “blondish”!... é em momentos como estes (e tantos outros), que vamos construindo o nosso eu… que nos vamos conhecendo …

Há, no entanto, momentos em que nos surpreendemos… momentos em que fazemos coisas que não estávamos à espera e não conseguimos explicar à partida… eu acho que são estes momentos que nos ensinam mais sobre nós próprios! (isto se quisermos aprender).

Tudo isto será também verdade para os outros mas aí há uma dificuldade adicional, os outros são os outros. Nós estamos connosco próprios sempre. Com os outros, isso é virtualmente impossível… há mais esse factor… por exemplo: se nós mentimos, sabemos que mentimos, se os outros mentem podemos não conseguir perceber… e nem é preciso ir ao mentir, basta ver como algo pode ser dito, ou feito, com uma intenção e interpretado de forma completamente diferente por outra pessoa…


No fundo a pergunta que vos deixo é porque temos esta necessidade de nos individualizarmos se depois o que queremos é ver o que temos em comum?



FATifer

19 comentários:

  1. E mais, como nos podemos indignar por os outros serem completamente diferentes da imagem que fazemos de "boa pessoa" (se bem que esta expressão me irrite bastante, por parecer que não se pode dizer mais nada desse indivíduo)...

    Quanta gente antipática, grosseira, interesseira, manipuladora, hipócrita, fundamentalista, impiedosa e por vezes até criminosa não existe neste mundo e nos causa verdadeiro horror? E sim, o que procuramos nos outros são os traços que nos identificam em termos de valores e de forma de estar idêntica, não os que nos separam ou até horrorizam.

    Também é verdade que ninguém nos conhece tão bem como nós próprios mas, tal como referes, às vezes não estamos inteiramente conscientes do porquê de fazer ou dizer qualquer coisa. Ninguém age sempre racionalmente e essa é uma característica humana. E todos temos um lado mau, que por vezes vem ao de cima, quando algo nos irrita...

    Enfim, suponho que nunca ninguém se conhece totalmente, exceptuando talvez os monges budistas, eremitas e outros sujeitos dados a profundas meditações! Há que viver com isso... ;)

    Bom Domingo para ti!

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  2. Teté,

    Vejo que também já pensaste sobre este assunto … obrigado pelas achegas que fazes, soubestes acrescentar muito bem ao assunto ;)

    “Enfim, suponho que nunca ninguém se conhece totalmente, exceptuando talvez os monges budistas, eremitas e outros sujeitos dados a profundas meditações! Há que viver com isso... ;)”

    Será que estes se conhecem? Acho que nunca saberei eu nem meditar consigo! ;)

    Beijinho grande,
    FATifer

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  3. Eu quando era adolescente era uma pessoa muito mais radical no conceito de mim.
    Pensava que "nuna diria isso", "nunca faria aquilo"...
    Tirando um par de coisas em que ainda mantenho uma opinião parecida, no fundo já não consigo dizer coisas tão radicais.
    Com o tempo percebi que fiz coisas que disse que não ia fazer, e disse coisas e calei outras que pensei que nunca ia dizer ou calar.
    A verdade é que não me conhecia bem.
    Ainda estou a conhecer-me, e já percebi que isso é algo que me vai levar a vida toda!
    E ainda bem!
    Obrigada por esta reflexão...

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  4. Boa pergunta.

    A resposta que eu encontro é que nem sempre queremos o mesmo em cada um dos momentos do nosso dia, quanto mais em cada um dos momentos da nossa vida...
    Precisamos separarmo-nos do comum para, logo de seguida, nos querermos sentir integrados na maioria. Precisamos ser diferentes mas nao marginalizados. Gostamos de evidenciar originalidade para, de seguida, nos querermos sentir iguais.
    Se consegui compreender o teu texto, acho que também é um pouco isso.

    Também é no "esticar" dos nossos limites que aprendemos a conhecer-nos cada dia um pouco melhor. Que aprendemos até onde conseguimos ir quando motivados para tal.
    Quando suficientemente motivados, fazemos coisas que julgariamos impossiveis noutro momento, como deixar "pendurado" um amigo ou faltar a um exame importante (por exemplo). É o nosso processo de conhecimento e que nos leva a concluir que, afinal, nao nos conheciamos assim tao bem e agora sim, conhecemo-nos um pouco melhor; até ao próximo ultrapassar de limite.
    Até ao final da nossa vida, achemos (agora) possivel ou nao, iremos ultrapassar-nos constantemente.
    Ainda bem que assim é :)

    Beijos :)

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  6. Nota:

    O comentário acima foi eliminado pois este espaço não serve para publicidade.

    (quem viu o comentário percebe o que digo, quem não viu, não perdeu nada)

    FATifer

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  7. FATifer, lol.

    Eu vi :)

    (Só não me deste tempo de tomar nota do contacto telefónico, looooooooool)

    ;)

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  8. Cris,

    Quando somos adolescentes sabemos tudo… faz-me lembrar um postal (que ainda hoje tenho pendurado na parede do meu quarto) que os meus pais me trouxeram da Irlanda, que diz o seguinte:

    "Teenagers:
    Tired of being harassed by your stupid parents?!
    Act now!
    Move out, get a job. Pay your own bills, while you still know everything!"

    (adolescents:
    Fartos de serem chateados pelos estúpidos dos vossos pais?!
    Tomem medidas!
    Saiam de casa, arranjem um emprego. Paguem as vossas contas, enquanto ainda sabem tudo!)

    Nunca fui tão radical que precisasse deste postal como aviso, os meus pais ofereceram-mo porque sabem que eu apreciaria a mensagem. Mas é como dizes (e ele diz) nessa altura temos a mania que sabemos tudo … (ainda hoje me lembro o quanto sempre me irritou a frase “quando tiveres idade vais entender” mas é verdade) à medida que vamos vivendo e crescendo, vamos (aqueles que querem) aprendendo isso mesmo, que estamos e estaremos sempre a aprender… é como dizes:

    “Ainda estou a conhecer-me, e já percebi que isso é algo que me vai levar a vida toda!
    E ainda bem!”

    Resumiste uma das mensagens que queria transmitir ;)

    Obrigado por leres, comentares, deixares um pouco de ti por aqui ;)

    Beijinhos,
    FATifer

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  9. Cara Pax,

    Tal como a Cris entendeste muito bem o que queria transmitir.

    Como sempre, gostei da tua resposta… bateste nos pontos certos… concordo com o que dizes ;)

    Quanto ao comentário eliminando, as minhas desculpas… mas tu podes sempre ir ver ao mail! :P

    :)

    Beijinhos e boa semana,
    FATifer

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  10. Eu gostei muito do texto, fizeste-me ter de o ler com muita atenção para tentar perceber. Gosto disso.

    Quanto ao mail... já o apaguei também ;)
    (E foi pena... que, de acordo com a promoção, o primeiro era grátis, lol)

    :)

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Acho que não nos conhecemos totalmente, nunca.

    Temos tomadas da nossa conciência por vezes, em coisas menos importantes ou em situações limite.
    Muitas vezes é nessas alturas que sabemos que somos capaz de fazer certas coisas.

    Temos consciência das nossas virtudes e defeitos mas nunca dos nossos limites, daí nunca sabermos quem somos.

    Somos humanos e como tal reagimos muitas vezes não com a razão, e sim com o coração.

    Olhamos para os outros e sabemos bem enfatizar defeitos e virtudes.

    Enganamo-nos constantemente a nós próprios e perante limites até nos supreendemos, logo é algo que não tem fim, aplica-se aqui a máxima "conhecermo-nos até morrer" (que não existe, inventei agora..lol), por isso a vida é uma fase constante de aprendizagem, sobre nós e outros.;)

    Ouvi dizer que andava aí não sei o quê grátis... eu que adoro promoções, manda aí o número pax..;P


    Eh eh

    Beijo

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  13. Vita,

    Lol, era só a primeira adivinhação sobre o teu futuro que seria grátis. (Os outros 4 números e 2 estrelas terias que adivinhar tu ;)

    Beijos :)

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  14. Por mais que nos individualizemos, será que se nos cruzássemos na rua connosco, nos reconhecíamos?

    A resposta cientifica é não!
    Pois na verdade a imagem que construímos de nós próprios não é a forma como os outros nos vêem.

    Quem somos é um pouco de ambos os pontos de vista.

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  15. Pax,

    Ainda bem que gostaste. Eu também gostei da tua resposta, como disse ;)

    Se apagaste o mail, temos pena eu não te envio :P

    :)

    Beijinho,
    FATifer

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  16. Vita,

    É isso… bateste nos pontos certos… gostei da tua máxima…

    Obrigado pelas frases que deixaste aqui … são excelente formulações das ideias que queria transmitir com o meu texto! :)

    É sempre um prazer ter-te por aqui, obrigado.

    Beijinho,
    FATifer

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  17. Crest,

    Como sempre, directo, incisivo e preciso … foste ao âmago da questão que coloco e deste a tua resposta que, para não variar, coincide com a minha opinião. É exactamente nessa dualidade entre a nossa imagem de nós próprios e a imagem que os outros têm de nós (e o reverso) que bate o ponto. É por achar o mesmo que dizes que escrevi o que escrevi…

    Obrigado,
    FATifer

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  18. Por isso é que quando nos vemos em gravações e até nos ouvimos em gravações, pensamos: PORRA ESTA NÃO SOU EU! :).

    Pois eu não me conheço :(. Neste momento então...não mesmo!

    Abreijinhos

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  19. Cara deusa,

    Estás num momento em que podes não te conhecer mas uma vez mais vais crescer, tornar-te ainda mais forte!

    Quanto a esse particular das gravações … acho que é por isso que faço tudo para não aparecer… assim evito pensar isso ;)

    Abreijo dos teus,
    FATifer

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