sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Porque alguém pediu… II


O vento frio, impiedoso, causa uma lágrima que me escorre pela face. Não a limpo deixo cair. O cheiro da terra molhada faz-me lembrar aquele dia em que me levaste ao teu lugar favorito. Perdidos no meio da serra de Sintra num recanto que só tu parecias conhecer, deitei-me no chão a teu lado após muito insistires. Ainda me lembro de ver daquele céu carregado por entre as árvores e de como começou a pingar… e como não me deixaste levantar e quiseste que sentisse a chuva a cair em mim, em ti, em nós… como se fossemos chão. Aquele cheiro que sempre gostei de terra acabada de molhar ganhou outra dimensão nesse dia.
Continuo preso às memórias de ti… parece que não há nada que faça que não me lembre de ti e do ano que partilhaste a minha vida.
Subo a escadaria à minha de dois em dois degraus e sinto os músculos das pernas a queixarem-se… em que ei de pensar para te esquecer? Cheguei ao topo, nem sei bem onde estou mas a vista é bonita. Estou perdido como na vida e só me resta seguir em frente. A chuva volta a cair. Levanto o capuz do casaco e continuo a andar em frente sem destino aparente. Por fim chego a um largo… ah já sei onde estou! Agora vou por ali. Apetece-me um café e conheço um bom aqui perto, que não serve a nossa marca… e assim não me lembro de ti (mas já me lembrei!).
Entro no café. Sento-me ao balcão e peço uma bica e um pastel de nata, têm bom aspecto. Agarro a chávena para aquecer as mãos. Por momentos pareço conseguir apena saborear o café e o pastel, não pensando em mais nada mas é uma doce ilusão... o mundo volta quando a empregada ao balcão me apresenta a conta. Olho para ela. Nada tem a ver contigo, é morena, de feições carregadas e olhar amorfo. Recordo os teus olhos verdes, penetrantes… bolas! Lá estou eu a pensar em ti de novo… levanto-me e saio do café. Já parou de chover mas sinto as solas escorregar na calçada polida. Continuo a andar, “onde vou agora?” pergunto-me sem vontade de me responder…
Dou comigo num largo que não tenho memória da conhecer mas até na nossa cidade podemos descobrir coisas como muito bem me mostraste por várias vezes… pergunto-me o que me terias chamado a atenção ao ver o que vejo? A árvore com o banco por baixo ou o bebedouro? Os motivos da calçada? Não sei…  talvez tenha perdido a capacidade e adivinhar o que pensas agora que não te tenho a meu lado…



FATifer

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